MARIO NEVES



                        ESTRELINHA  

 

 

                                                           Mario Neves

 

 

Se o desalento chegar sem nenhum aviso

Se a realidade se tornar ainda mais dura

Se a existência tentar apagar o seu sorriso

Se sentir no peito a sua fé quase sem cura.

 

Se em sua volta houver somente escombros

Se vier a desesperança, lhe acometer o medo.

Se sentir o mundo pesar demais nos ombros

O sonho fugir tal areia pelo vão dos dedos.

 

Então feche os olhos e comece a imaginar

Um céu cravejado de estrelas tão brilhantes

Em meio a elas, repare que você vai encontrar

Uma estrela pequenina, tímida, insignificante.

 

Sou eu essa estrela, essa acanhada estrelinha

E se eu habitar sua mente um instante que seja

Solenemente prometo, que nunca estará sozinha

Estarei junto de você, onde quer que você esteja.

 

 

                      EXALTAÇÃO À CRIATURA

 

 

                                                                      Mario Neves

 

Veja a natureza, repare como ela é tão linda

Olhe o verde da mata, o divino encanto da flor

Veja os campos floridos e não terá visto ainda

A obra mais querida, entre todas do Criador

 

Veja o crepúsculo, quem pintaria quadro tão bonito

Os pássaros em bando, dando à tarde mais um adeus

Veja a terra, o céu, o mar, o azul celeste do infinito

E não terá visto ainda, a maior das obras de Deus

 

Veja a relva macia, os montes cobrindo o horizonte

As nuvens escuras, as gotas  finas da chuva que cai

Veja o arco-íris, o que de belo existe e me aponte

Se nessas cenas está, a obra mais amada do Pai

 

Meu amigo, se a tudo olhou e nada mais lhe sobra,

Nada, senão as maravilhas que ao seu redor se vê

Eu lhe digo meu irmão, que de Deus a maior obra

Dela você se esqueceu... a maior obra é você...

 

 

 

               MEU BANDIDO CORAÇÃO

                                                                       

 

                                                       Mario Neves

 

 

Ai! Meu coração bandido, vagabundo e sem juízo.

Coração que tantas vezes brincou com o amor,

tantas gargalhou de outros corações aflitos,

que buscavam o teu carinho e lenitivo,

mas tu nunca ofereceste amor a ninguém...

 

Zombavas e rias de tudo e de todos

sem saber quanto doía a dor de um desprezo,

afinal não havia ainda provado uma dor sequer.

 

Coração orgulhoso, duro e conquistador...

Cadê o teu trono e o teu pedestal de marfim?

Cadê o teu riso fácil, o teu orgulho e altivez?

Se estás de joelhos diante de uma mulher...

Que tu amas, veneras...Mas  ela não te quer...

 

Por que choras coração? Tu não devias...

Tu não tens este direito...não és digno de uma lágrima,

assim como não mereces o amor que tanto sonhas.

 

O verdadeiro amor é quem te dá a sentença...

O teu castigo por tanta insensibilidade.

A dor que sentes pelo desprezo desta mulher,

não representa tão somente a tua dor,

mas é o concentrado de todas as dores

que outros corações sentiram e choraram,

diante do teu riso e zombaria.

 

Ai! coração! A única coisa que posso fazer.

É chorar por ti! Sou teu parceiro nesta dor.

 

 

 

            MEU QUASE POEMA

 

 

                                          Mario Neves

 

 

O meu poema não tem estilo,

não tem forma,

todavia isso, é o que menos importa.

Afinal ele não tem a pretensão

de ser uma obra-prima,

muito menos de ganhar o prêmio Nobel.

 

Esse meu poema,

pode até nem ser um poema,

mas ele é só pra falar do meu amor...

 

Meu poema não tem rima,

não tem métrica,

ele não é antigo e nem é moderno,

não tem nenhuma filigrana literária.

Mas ele é o tic-tac,

é o eletrocardiograma,

do que trago dentro do peito.

 

Esse meu poema não é um poema,

é uma declaração:

" Eu te amo! "

 

 

 

                     Os meus tristes ais...

 

                                                                     Mario Neves

 

 

Que ninguém ria dos meus ais...

porque eles foram consentidos,

não vieram ao acaso e sem querer.

Por isso não zombe deles jamais,

não significam apenas meu sofrer,

foram bons momentos perseguidos

e acalentados em mim e na paz.

 

Antes deles se tornarem gemidos,

foram pra mim uma doce ventura,

foram fios de um magnífico sonho.

Quero pois, o amor em mim  retido,

quero viver meus ais sem amargura,

e por isso em meu peito eu ponho

um coração eternamente agradecido.

 

Dos meus ais, soluços de amor  fiz,

embora possam parecer de sofrimento

os meus ais são a voz e meu destemor.

São a minha vontade louca de ser feliz,

o meu palco, a vida e o deslumbramento.

Foram e serão o desejo de doar meu amor,

que infelizmente  quem amo  não  quis.

 

Meus ais são raízes, adubo de paixão,

versos que soam e no amor se esvai,

soluços que fazem de mim um poeta,

um artesão a esculturar a doce ilusão.

Este poema que agora da alma sai,

é triste, mas não rouba minha meta,

que é fazer muito feliz o meu coração.

 

Não zombe, a minha vida não acabou

Não ria de meus ais, ainda não é o fim...

Porque inspirado em meus ais eu vou

buscar alguém que saiba gostar de mim.

 

 


 


                      Talismã

 

                                                   Mario Neves

 

 

Tudo que é alegre

fica mais radiante,

se próximo ao encanto

do teu sorriso !

 

Tudo que é encanto

fica mais exuberante,

se próximo à beleza

dos teus gestos !

 

Tudo que é beleza

ganha mais destaque,

se próximo ao brilho

da tua presença !

 

Tudo que é pouco

ganha quantidade,

se misturado

a tua mistura

de mulher singular !

 

Próximo de ti

Sinto- me rico...

Distante... cada

vez mais pobre...

 

 

 

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